
A nossa associada Lurdes deixa-nos o seu testemunho – uma perspetiva genuína sobre os desafios e conquistas do setor.
“Sou Maria de Lurdes Miranda Pires, nasci em Matosinhos, em 1965, licenciei-me em Direito em Coimbra, e exerci a advocacia na minha terra natal, durante mais de um quarto de século de vida.
Uma segunda habitação nas terras de Carmen Miranda, levou-me a deixar a minha atividade profissional e a mudar de vida. Duas ruínas restauradas, pediam nova vida! Era a mudança da cidade para o interior do país, numa fase diferente da vida. No ano de 2017, nasceu a Casa do Rio, o Alojamento Local com o número 40061, em Paços de Gaiolo. Começou a receber os seus primeiros hóspedes, então! Suspendi a minha inscrição na Ordem dos Advogados e, inscrevi-me, como associada da AHRESP e, mais tarde, da AEM (Associação Empresarial do Marco).
Foi um desafio que eu abracei, para partilhar com quem nos visitava, o pequeno Éden que o marido e eu construímos, na margem do Rio Douro!
Construí o meu negócio numa antiga ruína recuperada. E habitava numa outra ruína recuperada. Trazia gente para o interior do país, de todo o mundo. E era uma mulher independente, não dependente da reforma do marido, cujo tempo, entretanto, chegou!
E a vida que corria, naturalmente, na sua nova rotina conquistada, foi alterada por novos e maus ventos trazidos de Lisboa. Na Assembleia da República preparava-se e discutia-se, para aprovação, o intitulado “Pacote Mais Habitação”, que incluía alterações ao Alojamento Local, com consequências dramáticas para os proprietários de AL. Não queria acreditar, que aquele que havia sido meu Ministro da Justiça – Dr António Costa, quando eu era advogada, era agora o Primeiro Ministro de um Governo Socialista, que ansiava por matar o Alojamento Local. O país, acordou, para uma nova realidade a querer instalar-se!
Da parte das duas associações sobreditas das quais eu era associada, o silêncio era total. Mas, um grupo de colegas, insurgia-se contra o dito pacote legislativo e marcaram uma manifestação no centro do Porto. Viajei de combóio para a manifestação, era já impossível não apanhar aquele outro “combóio de colegas”, que lutavam contra as injustas alterações.
Foi, assim, que conheci muitos dos colegas que ali participavam, munidos de cartazes e frases contestatárias, como, por exemplo, “O AL não é negócio a prazo” e “O AL recuperou, não despejou”! Foi um dia emocionante, deveras emocionante! Nós, os empreendedores dos nossos negócios, saímos à rua para defender os nossos negócios, sustento das nossas famílias. Mais tarde, os colegas seguiram para Lisboa, para aí levarem a sua voz em defesa de todos nós!
E, da contestação que nos juntou, nasceu a ALPN – Associação do Alojamento Local Porto e Norte e Atividades Conexas. Era o Norte lutador e empreendedor, a defender os interesses do Alojamento Local.
A Lei n.º 56/2023 viu o dia nascer, por pouco tempo, porém!
Na verdade, quando na rua batíamos o pé e gritávamos “Costa vai prá rua, a casa não é tua”, não sonhávamos, então, que pouco tempo depois, o Governo Socialista iria cair, na sequência de uma frase célebre da Senhora Procuradora da República! E que o Governo que lhe sucederia, colmataria as alterações mais gravosas para o AL.
Quase dois anos depois, a ALPN vai inaugurar a sua sede, diria, a nossa casa. Da contestação, nasceu não só a ALPN, mas uma grande família, unida em torno daquela que é a paixão de todos nós, que trabalhamos no Alojamento Local e nas Atividades Conexas.
Hoje, sou associada, com muito orgulho, desta, ainda, jovem associação e, é com intenso orgulho, também, que faço parte desta família lutadora, em prol do Alojamento Local e das Atividades Conexas!”
É com testemunhos como este que continuamos a construir uma rede mais forte, inclusiva e colaborativa.
Obrigada Lurdes!